08/10/2018 -

O poder da influência

Brasil, 7 de Outubro de 2018. Eleições. O cenário é o mais propício possível para usarmos o nosso super-poder da atualidade. O poder das pessoas reais que têm uma abrangência boa o suficiente para influenciar outras através da sua opinião, sem nem precisar sair de casa. Já pararam pra pensar na responsabilidade? Eu até tinha parado, mas não tinha refletido.

Cara, se for ver, é muito louco isso né? Porque ao mesmo tempo que tem muita gente inteligente, engajada e com ótimos valores influenciando, tem uma galera que não tem a menor ideia do que está falando, ou pior, nem está falando.

Se o nosso nome é esse – digital influencer – porque a maioria prefere se calar e não influenciar em um momento como esse, sobre um dos assuntos mais importantes do nosso país?

Hoje acordei (que bom né, meu anjo?) e enquanto mexia o meu café, me fiz essa pergunta, e claro, vocês também me fizeram. Porque a maioria das pessoas consideradas influentes não se posiciona? E aí veio um amigo meu, acho que posso chama-lo assim, de longa data, de parceria que aparentemente nunca acaba quando termina, e me disse a seguinte frase: “Porque as pessoas da mídia são assim, elas ganham dinheiro não se posicionando”. Ah é? Então vou ter que arrumar outra maneira de ganhar dinheiro, foi a única resposta que me veio à cabeça.

Ainda assim não estava satisfeita com ela. Deve haver algum motivo para as pessoas preferirem anular a própria voz, algo tão nosso, que nos diferencia dos demais. E percebi que a resposta é óbvia, está bem debaixo do meu nariz. A culpa é nossa.

A culpa é nossa porque somos nós, leitores, usuários das mídias sociais, que declaramos à internet como sendo terra de ninguém. Não me leve a mal, eu nunca me escondi atrás de perfis anônimos e muito menos despejei meus pensamentos de ódio, sem que me pedissem, de maneira totalmente grosseira e opressora. Aliás, tenho que agradecer à vocês, porque tão pouco isso acontece em minhas mídia digitais. Mas um grande número de pessoas o faz. E isso vem de longa data, mas o que antes era reservado apenas às plataformas digitais, está se tornando realidade fora da internet também. As máscaras estão caindo, porque estão deixando de ser necessárias.

Então a única resposta que consigo oferecer, é que é preciso muita coragem para se posicionar sobre qualquer assunto hoje em dia. Se eu já me sinto levemente pressionada e insegura para falar sobre minhas opiniões com meus amigos de infância, imagina para quase 30 mil pessoas desconhecidas? E quando eu falo sobre posicionamento não estou falando apenas sobre política, religião ou futebol, estou falando sobre todo e qualquer assunto.

Toda opinião dita que seja contrária da sua, já é motivo de discórdia. Não se pode dizer que ama e defende o amarelo, que automaticamente todas as cores já se sentem ofendidas e no direito de te agredirem da maneira mais baixa que puderem. Mesmo sabendo que elas jamais fariam isso se não estivessem protegidas pela anonimidade das redes.

Então por esse motivo eu também não julgo quem não se posiciona. Não concordo, mas não julgo. Porque empatia é isso, né? A capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende, sem ser essa pessoa ou passar pelas mesmas vivencias que ela está passando, ou já passou.

Isso só me leva a concluir que se fossemos todos mais empáticos e tolerantes, a internet não estaria destilando tanto ódio. Não estaríamos tendo que escolher entre “o menos pior” e muitas pessoas com opiniões extremamente valiosas para a formação da nação não estariam se escondendo atrás de seus teclados.

É minhas amigas, está difícil, mas eu sempre gostei de dificuldade, o fácil me entedia, então sigo feliz com a escolha de expor a minha opinião, e espero que um dia esse cenário mude, e tenhamos a segurança de poder expor as nossas opiniões livremente, sem sermos atacadas e oprimidas, porque não estamos mais em 1964, e espero que não voltemos pra lá.

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