05/10/2018 -

Caixa de memórias

Parece que foi ontem, mas já fazem 3 meses que desembarquei nesse mesmo aeroporto em que estou agora. O cenário era tão diferente… Eu voltava de uma viagem longa, 3 meses sem te ver, sem te tocar, sentir o seu cheiro… Lembro da minha ansiedade, mas não era esse tipo de ansiedade que sinto agora, não tinha esse nó na garganta… Era uma ansiedade boa, de felicidade, de reencontro.

Lembro como minhas mãos tremiam por saber que você estaria aqui, me esperando. Lembro como sorri ao ver você com mais uma das suas pequenas surpresas. Você sempre adorou pequenas surpresas. Eu também.

Mas agora o cenário é outro, desembarquei de uma nova viagem e assim que passei pelo portão de saída, lembrei daquele dia, daquela sensação, sabe? Logo agora que parecia estar tudo bem, mas as memórias são assim né? Vem como cartas sem aviso ou remetente, e infelizmente não podem ser devolvidas, tão pouco jogadas fora… Se você aí terminou um relacionamento longo, sabe do que estou falando.

Parece que cada café que a gente toma, cada filme que a gente assiste, começa tudo de novo, é como se você estivesse vendo a sua vida em polaroid. A princípio bate aquele desespero… Será que tudo que eu fizer vou lembrar dele? Será que nunca mais vou conseguir comer Ben and Jerry’s (chocolate chip cookie dought, por favor) sem que essas lembranças invadam os meus pensamentos na velocidade da luz? “Porra, não consigo terminar nem um filme de comédia sem chorar”. Bom, de certa maneira eu já sei a resposta.

Acaba que é, as lembranças vão ficar pra sempre mesmo. Impossível apagar um sentimento que um dia foi tão nobre, tão verdadeiro. Muito difícil deixar de lembrar, principalmente dos momentos de felicidade dos últimos 4 anos. Porque é assim, né? A gente termina e só lembra dos momentos bons. “Nosso namoro era perfeito”.

Mas calma, não precisa se desesperar, tá? Porque apesar das memórias te perseguirem, aos poucos esse sentimento de desespero vai passando, ou melhor, vai mudando… Primeiro vem a tristeza por uma relação de cumplicidade tão legal ter chegado ao fim. Depois vem a saudade, e aquele pensamento de insegurança… Será que um dia terei um relacionamento massa como esse? Será que vou achar outro cara que me acompanhe nas minhas loucuras, me dê broncas quando estou dramatizando demais a situação ou que goste tanto de música eletrônica quanto eu? É inevitável ter esse tipo de pensamento e de insegurança…

Mas vai chegar um momento em que elas ficarão guardadas em uma caixinha de boas memórias, aquela que a gente guarda quase que a sete chaves, que vamos colocando nossas cartas mais profundas, nossas fotos mais preciosas, sabe? Aquela que a gente guarda bem guardado mesmo, pra que só a gente possa ter acesso, quando quisermos, na hora que quisermos, e principalmente, se quisermos.

Quando minhas amigas me pedem ajuda para superar um término de namoro (como se eu fosse especialista nisso, coitadas…) eu falo que acho extremamente importante vivermos essa fase de luto. Eu particularmente, gosto de sofrer tudo que posso, mas de verdade mesmo sabe? Coloco aquele filme bem triste (normalmente é ps: eu te amo!) e choro horrores assistindo, cheguei até a apelar pro sertanejo também, funciona! Falo com minhas melhores amigas sobre o assunto, até eu cansar de falar e elas cansarem de me escutar…

Uma vez uma amiga me disse que falar sobre o assunto era a melhor coisa que eu poderia fazer, porque me ajudaria a entender tudo aquilo que no momento, estava embaralhado na minha cabeça. Ajudaria a colocar aquele turbilhão de pensamentos e sentimentos no lugar. E olha, ela não poderia estar mais certa.

Quanto mais você vive os seus sentimentos,  mais você consegue deixar eles irem embora. O desespero, a saudade, e até o amor vão passar. Pelo menos esse tipo de amor. E você vai voltar a ter vontade de tomar o seu café, e não tem problema se aquela xícara que te faz lembrar dele ainda é a sua preferida. Porque agora tudo está guardado em seu determinado lugar.

Você vai encontrar novos filmes favoritos para assistir, aquela música que te lembrava de vocês dois, sabe? Pois é, você já enjoou de ouvir, já ficou velha, já passou. E agora novas músicas, até bem mais animadas por sinal, surgirão para você conhecer e cantar por aí, feliz da vida… E quando você menos espera a nova caixa de memórias está sendo formada.

Eu sei, pode até parecer que não, mas talvez essa seja ainda melhor do que a antiga, e se não for melhor, pelo menos será diferente. Tem coisa mais excitante do que o novo, o desconhecido? De tempo ao tempo, viva o seu luto, e quando estiver preparada, guarde essa caixa para poder começar uma nova, e assim você vai poder voltar a respirar de novo, e tudo vai se ajeitar. Fica bem.

Eu escrevi essa crônica há mais ou menos um ano atrás, mas na época não me
sentia segura em compartilhar. Hoje me deu essa vontade e eu pensei: vai 
que ajude alguém que está passando por isso ❤️

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